sexta-feira, 30 de novembro de 2012

PROBLEMÁTICA DOS RESÍDUOS SÓLIDOS:



     Um dos problemas mais sérios que qualquer cidade enfrenta, mas que é particularmente grave nas enormes aglomerações urbano-industriais, é o lixo sólido.
     Trata-se de um problema inerente à cidade, devido a mesma processar uma incrível quantidade de matéria e energia, além de toneladas e toneladas de dejetos que não são metabolizados por ela. Os excedentes vão se acumulando cada vez em maior escala, colocando a questão do lixo urbano como uma das mais sérias a ser enfrentada atualmente. Com a elevação da população e, principalmente, com o estímulo dado ao consumismo, o problema tende a se agravar.
     A partir daí, o destino do lixo passa a ser um dos temas de enorme gravidade. Trata-se de saber como se livrar do que é considerado inservível e de reconhecer que se está diante de um problema ambiental de grandes proporções.
     A grande preocupação em torno do destino do lixo se dá principalmente em face da sua característica de inesgotabilidade, comprometimento de grandes áreas e pela sua complexidade estrutural, devido a grande heterogeneidade de materiais, desde substâncias inertes a substâncias altamente tóxicas. A heterogeneidade é uma das características principais dos resíduos sólidos urbanos, que apresentam uma composição qualitativa e quantitativa muito variada. Essas variações ocorrem geralmente em função do nível de vida e educação da população, do clima, dos modos de consumo, das mudanças tecnológicas, etc...
     Diariamente, grande quantidade de lixo é produzida no meio urbano, necessitando de um destino final adequado. Segundo Oliveira (1997), a quantidade média de lixo produzida por habitantes nas cidades brasileiras é de 0,5-2,5 kg/hab/dia, o que nos leva a inferir que no Brasil a produção média mínima chega a aproximadamente 180 kg/hab/ano. Para se ter uma idéia da gravidade do problema, se cada pessoa produzir diariamente, um quilo de lixo, significará 6 milhões de toneladas diárias nos próximos dias. Esta média, entretanto, não leva em consideração o lixo industrial, os dejetos da área rural e o material jogado nos campos e rios.
     Apesar do nosso grau de desenvolvimento técnico-científico, os problemas sanitários urbanos, mais especificamente o saneamento do lixo, não tem acompanhado esse ritmo, como também foi o que menor progresso obteve (Otero, 1966).
     Via de regra, expressivas quantidades de lixo vêm sendo armazenadas em áreas não apropriadas ou simplesmente despejadas em lugares abertos, sem a mínima preocupação com a higiene ambiental. Como conseqüência, tem-se a contaminação dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos, do solo, do ar e a degradação da paisagem, além da proliferação e disseminação de agentes patogênicos, de macrovetores (ratos, moscas, baratas, cães, aves, catadores) e de microvetores (bactérias, vermes, fungos e vírus), transformando esses locais numa fonte difusora de doenças.
     Considerando alimentos, energia e recursos naturais, o mundo já está consumindo 40% além da capacidade de reposição da biosfera e esse déficit aumenta 2,5% ao ano. No Brasil, são diariamente despejadas na natureza 125 mil toneladas de rejeitos orgânicos e de material potencialmente reciclável (PNUD, 2001).
     Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas IBGE (2000) indicam que 76% do lixo coletado no país cerca de 20 milhões de toneladas por ano são jogados a céu aberto. Restos orgânicos, sobretudo de alimentos e papéis sanitários, compõem 60% desses despejos, enquanto que nos países desenvolvidos, os restos orgânicos representam apenas 10%.

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