Um dos problemas mais sérios que qualquer cidade
enfrenta, mas que é particularmente grave nas enormes aglomerações
urbano-industriais, é o lixo sólido.
Trata-se de um problema inerente à cidade, devido a
mesma processar uma incrível quantidade de matéria e energia, além de toneladas
e toneladas de dejetos que não são metabolizados por ela. Os excedentes vão se
acumulando cada vez em maior escala, colocando a questão do lixo urbano como
uma das mais sérias a ser enfrentada atualmente. Com a elevação da população e,
principalmente, com o estímulo dado ao consumismo, o problema tende a se
agravar.
A partir daí, o destino do lixo passa a ser um dos
temas de enorme gravidade. Trata-se de saber como se livrar do que é
considerado inservível e de reconhecer que se está diante de um problema
ambiental de grandes proporções.
A grande preocupação em torno do destino do lixo se
dá principalmente em face da sua característica de inesgotabilidade,
comprometimento de grandes áreas e pela sua complexidade estrutural, devido a
grande heterogeneidade de materiais, desde substâncias inertes a substâncias
altamente tóxicas. A heterogeneidade é uma das características principais dos
resíduos sólidos urbanos, que apresentam uma composição qualitativa e
quantitativa muito variada. Essas variações ocorrem geralmente em função do
nível de vida e educação da população, do clima, dos modos de consumo, das
mudanças tecnológicas, etc...
Diariamente, grande quantidade de lixo é produzida
no meio urbano, necessitando de um destino final adequado. Segundo Oliveira
(1997), a quantidade média de lixo produzida por habitantes nas cidades
brasileiras é de 0,5-2,5 kg/hab/dia, o que nos leva a inferir que no Brasil a
produção média mínima chega a aproximadamente 180 kg/hab/ano. Para se ter uma
idéia da gravidade do problema, se cada pessoa produzir diariamente, um quilo
de lixo, significará 6 milhões de toneladas diárias nos próximos dias. Esta
média, entretanto, não leva em consideração o lixo industrial, os dejetos da
área rural e o material jogado nos campos e rios.
Apesar do nosso grau de desenvolvimento
técnico-científico, os problemas sanitários urbanos, mais especificamente o
saneamento do lixo, não tem acompanhado esse ritmo, como também foi o que menor
progresso obteve (Otero, 1966).
Via de regra, expressivas quantidades de lixo vêm
sendo armazenadas em áreas não apropriadas ou simplesmente despejadas em
lugares abertos, sem a mínima preocupação com a higiene ambiental. Como
conseqüência, tem-se a contaminação dos recursos hídricos superficiais e
subterrâneos, do solo, do ar e a degradação da paisagem, além da proliferação e
disseminação de agentes patogênicos, de macrovetores (ratos, moscas, baratas,
cães, aves, catadores) e de microvetores (bactérias, vermes, fungos e vírus),
transformando esses locais numa fonte difusora de doenças.
Considerando alimentos, energia e recursos
naturais, o mundo já está consumindo 40% além da capacidade de reposição da
biosfera e esse déficit aumenta 2,5% ao ano. No Brasil, são diariamente
despejadas na natureza 125 mil toneladas de rejeitos orgânicos e de material
potencialmente reciclável (PNUD, 2001).
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatísticas IBGE (2000) indicam que 76% do lixo coletado no país
cerca de 20 milhões de toneladas por ano são jogados a céu aberto. Restos
orgânicos, sobretudo de alimentos e papéis sanitários, compõem 60% desses despejos,
enquanto que nos países desenvolvidos, os restos orgânicos representam apenas
10%.